O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, reconheceu nesta quarta-feira que houve falha da diretoria na contratação de uma empresa de segurança atualmente investigada pelo Ministério Público de São Paulo. O dirigente também afirmou que avalia o afastamento temporário do diretor administrativo Fábio Soares enquanto o caso é apurado.
A investigação foi aberta para analisar pagamentos de aproximadamente R$ 676 mil feitos à Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa registrada em nome de Fernando José da Silva, apontado como funcionário ligado ao clube. Segundo a apuração, a companhia não possuía autorização da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada e também não teria contrato formal assinado com o Corinthians.
Durante entrevista concedida no Parque São Jorge, Stabile explicou que autorizou Fernando a coordenar mudanças emergenciais na segurança do clube após os episódios de invasão ocorridos na sede administrativa em maio de 2025, quando apoiadores do então presidente Augusto Melo ocuparam áreas internas do clube em meio à crise política corintiana. O mandatário, porém, negou ter conhecimento da abertura da empresa ou participação direta na formalização do contrato investigado.
O dirigente afirmou que a decisão pela troca da equipe de segurança ocorreu em um cenário considerado crítico pela gestão. Segundo ele, naquele momento havia insegurança interna no clube e parte dos profissionais responsáveis pela proteção da presidência não estariam mais respondendo às ordens da administração interina.
Stabile também declarou que o Corinthians iniciou um levantamento interno para entender como ocorreu a contratação e admitiu que houve falha nos mecanismos de controle do clube. O presidente acrescentou que uma nova empresa passou a prestar os serviços posteriormente, após abertura de concorrência.
O Ministério Público investiga possíveis crimes envolvendo a operação, incluindo suspeitas de falsidade ideológica, irregularidades tributárias e eventual desvio de recursos. O promotor responsável pelo caso, Cássio Conserino, determinou a realização de oitivas de Fernando José da Silva e Fábio Soares ainda neste mês.
A nova crise amplia o ambiente de instabilidade política vivido pelo Corinthians desde o processo de impeachment do ex-presidente Augusto Melo, afastado após uma série de investigações e disputas internas no clube.

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