O nome de Lucas Flora, considerado uma das principais promessas das categorias de base do Corinthians, esteve no centro de uma polêmica nesta quarta-feira. A família do atleta de 12 anos anunciou o encerramento da trajetória do jovem no Parque São Jorge por meio de uma nota pública, apontando falhas administrativas e divergências na condução de sua formação. Horas depois, o Corinthians respondeu oficialmente e contestou as principais alegações.
Na manifestação assinada pelo pai do atleta, Flávio Flora, a família afirma que o jogador não foi relacionado para nenhuma competição em 2026 e sequer foi inscrito no Campeonato Paulista da categoria. O comunicado também sustenta que o atleta estaria sem vínculo ativo junto à CBF e à Federação Paulista de Futebol desde dezembro de 2025.
Segundo a família, em reuniões realizadas com representantes do clube, a ausência do registro teria sido atribuída a falhas internas e problemas de comunicação dentro do departamento de base. O texto também nega que houvesse qualquer impasse envolvendo contratos de imagem e afirma que existia um entendimento para que eventuais discussões sobre contrato de formação acontecessem apenas quando o atleta completasse 14 anos.
Outro ponto levantado pelos familiares é a preocupação com o desenvolvimento esportivo do jogador. Na nota, a família afirma que “antes de ser jogador do Corinthians, Flora precisa ter garantido o direito de ser jogador de futebol” e diz que a falta das condições necessárias para sua participação em competições comprometeu sua formação.
O Corinthians, por sua vez, apresentou uma versão diferente do que foi alegado pela família Flora. Em nota oficial, o clube afirmou ter recebido as declarações “com surpresa” e negou que tenha deixado de registrar o atleta deliberadamente.
De acordo com o Timão, a documentação necessária para a inscrição do jogador foi enviada pela família apenas em 25 de fevereiro, mais de dois meses após a primeira solicitação realizada pelo Departamento de Formação de Atletas. O clube afirma ainda que o pedido foi reforçado em diversas ocasiões durante janeiro e fevereiro, sem retorno dos responsáveis.
O Corinthians também declarou que, para a efetivação do registro junto à Federação Paulista de Futebol, era necessária a assinatura da ficha cadastral pelos pais do atleta, procedimento que, segundo o clube, não foi concluído.
A diretoria alvinegra também rebateu a alegação de que teria condicionado o registro à rescisão do contrato de imagem vigente. Segundo a nota oficial, “não procede a afirmação de que o Corinthians tenha exigido a rescisão do contrato de direito de imagem do atleta”.
Outro trecho do comunicado afirma que o clube tomou conhecimento de contatos realizados pela família com ao menos duas equipes da Série A sem autorização prévia, apesar da existência de contrato vigente entre as partes.
O Corinthians também informou que Lucas Flora não comparece aos treinamentos há mais de um mês e que, mesmo diante do cenário, continuou cumprindo integralmente suas obrigações contratuais na tentativa de construir uma solução consensual.
Ao final da nota, o clube afirma entender que a iniciativa pelo encerramento da relação partiu da própria família e sinaliza que poderá buscar a defesa de seus direitos previstos contratualmente, inclusive em relação aos valores estabelecidos no contrato de imagem.
Com versões divergentes sobre os acontecimentos, o caso marca o fim da passagem de uma das maiores promessas da base corinthiana pelo clube. Até o momento, não há definição pública sobre qual será o próximo destino de Lucas Flora.
Notas oficiais na íntegra
Nota oficial da família de Lucas Flora
“Ficamos em silêncio durante todo esse período por respeito ao nosso filho e também ao momento vivido pelo clube. No entanto, diante dos inúmeros questionamentos da torcida e da circulação de informações que não refletem a realidade dos fatos, entendemos ser necessário esclarecer a situação com transparência e respeito.
Em 2026, Flora não foi relacionado para nenhuma competição de sua categoria e também não foi inscrito no Campeonato Paulista, principal torneio das categorias de base do país, em nenhuma categoria do clube.
Além disso, verificamos que, desde dezembro do ano passado, o atleta não possui vínculo ativo junto à CBF e à Federação Paulista de Futebol pelo Corinthians. Mesmo com toda a documentação tendo sido entregue no prazo, o registro do atleta não foi renovado, deixando-o sem vínculo esportivo formal com o clube.
Em reunião, fomos informados de que a ausência de registro teria ocorrido por falhas internas e problemas de comunicação envolvendo os responsáveis pela documentação das categorias de base.
Publicamente, porém, foi apresentada outra versão: a de que o atleta só seria registrado caso a família abrisse mão do contrato de imagem vigente para, então, assinar um contrato de formação, sob a alegação de que o clube não teria condições de cumprir o acordo anterior.
É importante esclarecer que já existia um entendimento entre as partes de que qualquer tratativa envolvendo contrato de formação ou questões financeiras ocorreria apenas quando Flora completasse 14 anos, em 2028, e não agora, aos 12 anos de idade.
Também não corresponde à realidade a informação de que a família teria exigido participação do atleta em campanhas de lançamento de camisas. Até porque o contrato de imagem foi oferecido pelo próprio clube, que enxergou potencial no uso da imagem do atleta, que, inclusive, é patrocinado pela mesma fornecedora de material esportivo do Corinthians.
Mesmo diante da ausência de registro e das dificuldades enfrentadas no processo, a família manteve todos os seus compromissos, levando Flora diariamente aos treinos e às demais atividades do clube, sempre acreditando no processo de formação e no sonho do seu filho.
Ao longo desses anos, sempre priorizamos os desejos e as escolhas do nosso filho, deixando de lado outras possibilidades que poderiam ser mais vantajosas para sua carreira. Ainda assim, o clube volta a cometer falhas no processo de formação dele.
Não podemos permitir que um período tão importante da vida de uma criança seja perdido em meio a erros que se repetem.
Antes de ser jogador do Corinthians, Flora precisa ter garantido o direito de ser jogador de futebol. E hoje, infelizmente, esse direito vem sendo comprometido pela ausência das condições mínimas necessárias para que ele possa fazer o que mais ama: jogar bola.
Esperamos que os responsáveis tenham mais consciência sobre o impacto de situações como essa, que não apenas afetam sonhos de crianças e famílias, mas também comprometem a formação de possíveis ativos para o próprio clube.
Sabemos que, diante da grandeza do Corinthians, qualquer posicionamento ou justificativa dos responsáveis terá naturalmente mais força do que a palavra de uma família. Ainda assim, acreditamos ser importante esclarecer os fatos com respeito e honestidade.
Também esperamos sinceramente que a decisão da família de seguir, até aqui, sem empresários conduzindo a carreira do Flora, não tenha influenciado, de nenhuma forma, na condução dessa situação.
Foram seis anos honrando essa camisa com orgulho. Infelizmente, essa história não seguiu o caminho que o nosso pequeno sonhava, mas seguimos acreditando que a vida ainda pode reservar novos caminhos e novas oportunidades no futuro. Quem sabe!
Independentemente de toda essa situação, somos gratos ao Corinthians como instituição, à sua história e à sua fiel torcida de milhões de apaixonados, assim como nós, que o clube representa. Seguimos torcendo para que o mesmo supere este momento e volte a viver dias melhores, porque o Corinthians sempre será patrimônio do povo.
Ninguém é maior que o clube.
Assim como ninguém é maior que o amor de um pai e de uma mãe por um filho.
Te amamos, Flora. Vai dar tudo certo. 🙏🏼
Assinado: Flávio Flora“
Nota oficial do Corinthians
“O Sport Club Corinthians Paulista vem a público esclarecer que recebeu com surpresa as declarações dadas pelo sr. Flávio de Souza Flora, pai de um atleta integrante da equipe Sub-12, em comunicado enviado à imprensa nesta quarta-feira (03), no qual justifica a saída do jogador das categorias de base do Clube.
O Corinthians não deixou de inscrever o atleta na Federação Paulista de Futebol deliberadamente. Para que o procedimento fosse realizado, era necessário o envio de documentação por parte dos representantes do jogador. No entanto, essa documentação foi encaminhada apenas em 25 de fevereiro, mais de dois meses após a primeira solicitação feita pelo Departamento de Formação de Atletas, que reiterou o pedido em diversas oportunidades: 02/01, 09/01, 17/01, 30/01 e 04/02/2026, sem obter resposta.
É importante salientar que, para que o registro seja efetivado junto à Federação Paulista de Futebol, é indispensável que os pais assinem a ficha cadastral da entidade, o que não ocorreu até o presente momento.
Também não procede a afirmação de que o Corinthians tenha exigido a rescisão do contrato de direito de imagem do atleta.
O Corinthians informa, ainda, que tomou conhecimento de que o Sr. Flávio de Souza Flora realizou contatos com ao menos duas equipes da primeira divisão sem a anuência prévia do Clube, apesar da existência de contrato vigente entre as partes.
Cabe destacar que o atleta não comparece aos treinamentos há mais de um mês, sem apresentação de justificativa.
Ainda assim, o Corinthians continuou cumprindo integralmente suas obrigações contratuais, por entender que seria possível construir uma solução consensual que preservasse os interesses de todas as partes envolvidas, especialmente os do jovem atleta.
Diante dos fatos, o Clube entende que a iniciativa de encerramento da relação contratual partiu da família do jogador.
Por fim, o Corinthians esclarece que buscará resguardar seus direitos e interesses na forma prevista em contrato, inclusive em relação aos valores pactuados, caso a família opte pela rescisão do contrato de direito de imagem que vincula o atleta ao Clube.“









